Faz tempo, né?
Bom, fato que demos uma desencanada. A vida por aqui meio que entrou nos eixos de “vida normal”, o que é ruim e bom. Meanwhile, a Luiza tá aos pouquinhos alimentando (sem trocadilho) um blog sobre comida e nossas aventuras culinárias aqui em casa, confere lá!
Mas eu resolvi ressuscitar esse espaço e escrever um pouco mais, pois acabamos de chegar de Dublin e acho que tenho coisas a dizer sobre. Então, comecemos.
No more tears, no more Paddy’s lament
“You know, I would say the difference [between German and Irish people], is that you always share your things, you look after the others around you, do you understand what I’m saying?”
Essa frase, dita mais ou menos assim por um taxista com um sotaque do interior da Irlanda beirando o incompreensível, foi o que fechou sensacionalmente nossa experiência de cinco dias em Dublin. Dois minutos depois, quando desci do táxi, meus olhos enchiam de lágrimas e não me dava vontade de ir embora.
Um dos principais motivos pelo qual resolvemos fazer uma última viagem antes da viagem de fim de ano (que tem conotação totalmente familiar), foi o fato de precisarmos “respirar” um pouco, fugir um pouco da Alemanha. O inverno se aproxima e com ele o Alemão vai fechando (mais) a cara, o dia vai ficando mais triste e o BANZO bate constantemente. A soma dos fatores internos e externos (a.k.a. Mestrado e a língua incompreensível – sim, ainda) nos deixa bem mal. Era preciso lavar a alma, e sabendo que o povo Irlandês leva a fama de festivo e “quente”, e o fato de ter meu amigo Heitor morando por lá foram cruciais na decisão.
Estando lá, todas as teorias se confirmaram e no fim das contas eu acabei tomando um “sacode” da vida que me deixou muito feliz e triste, e me motivou a tirar o pó desse blog aqui.
“Eu acho que a Alemanha me deixou azedo”
Foi quando eu disse essa frase pra Luiza que me caiu a ficha. É um fato. Passar esses cinco dias na casa de quatro brasileiros (e uma agregada) me fez perceber o quanto eu sou diferente do que eu era há um ano e pouco atrás. E isso – em certos aspectos que eu menciono aqui – é ruim PRA CARALHO, e isso DÓI PRA CARALHO. Durante esses cinco dias o que eu vi e vivi – e tenho certeza que a Lu concorda comigo – foi uma constatação de que os Irlandeses são como os Brasileiros, e isso foi genialmente e ingenuamente definido pelo taxista: nós cuidamos uns dos outros. Nós nos preocupamos uns com os outros e não estamos bem se nossos amigos não estão bem. E quando eu digo “nós”, eu me refiro ao nomezinho que vai ali no meu passaporte, conhecido em alemão pelo impronunciável termo Staatsangehörigkeit, os brasileiros que sabem a dificuldade que é viver na Europa (BEM diferente de passar férias, que fique claro) – mas me excluo da lista, pelo menos provisoriamente.
É triste perceber que o máximo que a gente consegue desse “comportamento” por aqui é com os queridos vizinhos Ivana e Johnny, e é triste saber que depois que eles derem o próximo passo na vida deles, nós estaremos aqui sozinhos, sem ninguém to look after e being looked after. E é mais triste ainda perceber que essa relação que nós temos aqui é a exceção, e não a regra; que aqui na Alemanha – assim como em outros países que são mais ricos, aparentemente – tudo funciona no Me-self e não no Our-self; e é particularmente triste perceber que eu meio que absorvi isso por osmose.
Se a Alemanha me deixou azedo, eu acho que ainda tá em tempo de mudar. Não dá pra ter o melhor dos dois mundos, mas dá pra fazer um pouquinho mais do que simplesmente ir com o fluxo dessa gente esquisita – com exceções, óbvio.
Enfim, Dublin foi maravilhoso e as fotos vão pro Facebook logo menos. Eu só queria deixar bem claro aqui pro Heitor, Gustavo, Alexandre, Alessandro e Camila que nosso tempo em Dublin não foi só a turistagem mas também foi a lesson to learn, sem pieguice ou choradeira (vai chorar?). Foi muito bom “me sentir em casa” e conhecer pessoas boas, no melhor sentido da palavra. Lavamos a alma e demos uma boa renovada na energia. Way to go, meus amigos, valeu demais!